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COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS

Esta é uma apostila de Portugues que venho montando a muito tempo para facilitar minha vida na hora de ministrar aula e a dos amigos!




COMPREENDER – é entender o que diz o texto, é decifrar o código usado na elaboração do mesmo, o seu sentido.

INTERPRETAR – é desenvolver a idéia do texto, entender bem o que o autor disse, a ponto de parafraseá-lo.

PARÁFRASEAR – é a capacidade de recontar a história com as próprias palavras.

PERÍFRASE – é o rodeio de palavras. Também chamado de circunlóquio.

INTERTEXTUALIDADE – acontece quando vários textos possuem o mesmo tema, porém, tratados de forma diferentes.

SÍNTESE – é um resumo feito por palavras chaves, fazendo lembrar as idéias principais do texto.

RESUMO – é o texto composto por idéias principais. Reescreve-se o texto de forma concisa mantendo suas idéias principais, diferentemente da paráfrase.

RESENHA – é o resumo crítico. Neste caso, conserva-se a idéia principal, acrescentando opiniões sobre o assunto.

INFERÊNCIA – é o que está dito, mas não está escrito. São informações contidas no texto e que o autor deixou subtendidas.

COESÃO – é a ligação correta entre as palavras. Palavras colocadas nos lugares certos, na hora certa.

COÊRENCIA – é a ligação correta das idéias. Só se adquire coerência se a coesão estiver colocada de forma adequada no texto.



TIPOS DE DISCURSO



DISCURSO DIRETO – acontece quando os próprios personagens conversam entre si, não havendo intermediação ou narração de uma terceira pessoa.

DISCURSO INDIRETO – neste caso, os personagens não conversam entre si, apenas o narrador conta com suas palavras o que aconteceu e quem disse o quê.

DISCURSO INDIRETO LIVRE – é a união dos dois discursos acima. Neste tipo de discurso, o narrador conta à história e em determinados momentos relembra com precisão o que disse os personagens ou cada um deles. Quando tal fato acontece, chamamos de “flash memorial”.
TIPOLOGIA TEXTUAL


A TIPOLOGIA TEXTUAL divide-se em: narração; descrição e dissertação.

NARRAÇÃO - é o ato de contar uma história, seja ela verídica ou não.
A narração possui alguns elementos que a distingue de alguns textos e são eles:

a) Foco Narrativo – é o narrador propriamente dito, que vem em 1ª (primeira) pessoa ou 3ª (terceira) pessoa.

Em primeira pessoa – o narrador que participa da história que está contando.
Em terceira pessoa - o narrador apenas conta o fato acontecido com alguém.

b) PERSONAGENS – são aqueles que participam do fato narrado, podendo ser: Personagens principais ou secundários.

c) TEMPO – é a localização de dia, mês, ano, hora, minutos, segundos ou qualquer coisa que localize o fato no tempo.

O tempo pode ser:

Cronológico – quando o autor se preocupa em situar os fatos narrados numa determinada época ou data no tempo, proporcionando para que lê o texto ou houve uma localização temporal dos fatos.

Psicológico – quando apenas o narrador sabe em que época ou data aconteceram os fatos, a localização temporal esta somente na cabeça do narrador.

AMBIENTE - é o lugar onde acontecem os fatos, o cenário dos acontecimentos.


SIGNIFICAÇÃO DAS PALAVRAS



As palavras podem ser entendidas de várias formas. De forma literal ou não. Quando assume a forma literal, dizemos que esta no “sentido real” e quando assume a forma do contexto, dizemos que esta no “sentido figurado”, para ambos o caso, a língua portuguesa tem uma classificação.

LINGUAGEM DENOTATIVA – acontece quando as palavras estão no seu sentido real. No sentido do dicionário.

LINGUAGEM CONOTATIVA - quando as palavras estão no sentido figurado, irreal, inventado.

Lembre-se: Linguagem Denotativa = Dicionário

Linguagem Conotativa = Criativa



SIGNIFICAÇÃO DAS PALAVRAS (SEMÂNTICA)


SINONÍMIA = sinônima


Ex: bonito = lindo


ANTONÍMIA = antônima


Ex: magro ¹ gordo


POLISSEMIA - é a mesma palavra, com significados diferentes por causa do contexto.


Ex: O bico do bule amassou.

O bico do papagaio é grande.
PARONÍMIA = parônimos

EX: Mandato – tempo que um político fica no cargo.

Mandado – ordem expedida por autoridade.

HOMÔNIMIA - homônimos


sessão (reunião)
seção (divisão) ® pronúncia igual
cessão (ato de ceder)

sede (é)
sede (ê) ® grafia igual


PARÔNIMOS E HOMÔNIMOS


PARÔNIMOS – São palavras parecidas na escrita e na pronúncia, mas com diferentes significados.

Ex.: tráfego - movimento de carros
Tráfico - compra e venda de drogas

HOMÔNIMOS - Acontece quando uma mesma palavra, passa a ter outros significados

- mesma palavra significados diferentes

Ex.: Saí cedo advérbio

Cedo meu lugar a você


Verbo ceder (dar)


A seguir uma relação dos homônimos e parônimos mais usados no Brasil.


abjeção = baixeza; degradação
objeção = contestação; argumentação
absolver = inocentar
absorver = sorver; aspirar
acender= fazer pegar fogo; ligar a luz...
ascender = subir; elevar-se
acento = sinal gráfico
assento = lugar em que as pessoas sentam-se
acidente = ocorrência infeliz, desastre
incidente = fato imprevisto, mas nem sempre trágico ou triste
acondicionar = dar certa condição, cuidar para que não estrague
condicionar = estabelecer condições para que algo se realize
acordam = do verbo acordar
acórdão = termo jurídico que significa “decisão tomada” por uma instância superior
aparte = interrupção feita a quem está discursando
à parte = de lado, separadamente
apêndice = parte anexa, acréscimo
apendicite = inflamação
apreçar = perguntar ou ajustar preço
apressar = verbo relacionado à palavra pressa
caça = ação de caçar
cassa = tecido fino e leve de algodão ou linho
caçar = perseguir animais para mata-los
cessão = ato de ceder
seção = divisão, parte, setor
secção = ato de seccionar
sessão = tempo de duração
comprimento = extensão
cumprimento = saudação
concerto = apresentação musical pública
conserto = correção
coser = costurar
cozer = cozinhar
decida = forma do verbo decidir
descriminar = inocentar, tirar o caráter de crime de alguma coisa
discriminar = distinguir, estabelecer diferença
empencilho = embaraço intencional para causar dano
impencilho = dificuldades
emigrar = sair do país em que nasceu
imigrar = entrar em um país estrangeiro
eminete = destacado, ilustre
iminente = prestes a acontecer
esperto = que aproveita as oportunidades
experto = experiente e/ou muito entendido em algum assunto
esterno = nome de um osso que há no peito
externo = que fica ou vem de fora
estrato = faixa ou camada de alguma coisa
extrato = que se retirou de alguma coisa
flagrante = evidente, que se reconhece facilmente
fragante = perfumado
fluído = escorrer,escoar,decorrer ; do verbo fluir
fluido = correr em estado líquido
incipiente = iniciente, que está no começo
insipiente = ignorante, que não sabe nada
inflação = desvalorização monetária
infração = ato de desrespeitar uma lei
infligir = aplicar pena ou castigo
infrigir = desrespeitar , transgredir
intercessão = interferência, intervenção
intersecção = cruzamento
mandado = ordem escrita por uma autoridade
mandato = poder dado pelo povo a alguém



FUNÇÕES DA LINGUAGEM NA COMUNICAÇÃO




Na Língua Brasileira (Portuguesa) a linguagem toma vários aspectos diferentes de acordo com a intenção do emissor da mensagem e a que fim ela se dispõe.

As Funções da Linguagem usadas no Brasil são:


a) Função Poética – é a própria poesia.

EX: “... Mas a vida é feita...”.
De desencontros,
De alegrias,
De buscas,
E de sonhos...”( Venzi)”.

b) Função Emotiva - neste casso, o emissor é totalmente egoísta, fala somente de seus sentimentos, dando predominância ao uso da primeira pessoa do verbo (EU).

EX: Músicas sertanejas, músicas bregas, onde o cantor ou autor se preocupa apenas com o que ele está sentindo.

c) Função Apelativa – o emissor usa a mensagem para tentar influenciar nas atitudes do receptor, tem predominância do verbo no imperativo e uso do vocativo.

EX: Programas de TV feitos para dona de casa, propagandas etc.

d) Função Fática – o emissor tenta estabelecer contato, envia a mensagem e aguarda resposta do receptor para estabelecer uma conexão de comunicação. Se o receptor não der continuação ao processo esperado, a comunicação se completa, mas é considerada falha.

Ex: O cara esta na estrada, pneu furado, chovendo, de noite, sem macaco e pneu de estepe também furado. Pega o celular e liga para casa...

- Alô!
- Alô!
- Quem fala?!
- O quê?
- Quem ta falando???
- Não tô ouvindo nada!!!
- Sou eu...José Araújo!!!!
- Não meu filho...Aqui não tem nenhum “PARAFUSO” NÃO!!!! Imbecil!!!

PIM...PIM....PIM....PIM....PIM...


e) Função Referencial – acontece quando o emissor transmite a informação de forma clara e verdadeira, sendo extremamente objetivo na emissão da mensagem, sem se preocupar com o receptor.

EX.: linguagem usada nos Telejornais, Médicos, Dentistas, Cientistas, Jornais, Rádio , Revista e por todos aqueles que lidam com a verdade comum.

f) Função Metalingüística - quando o emissor envia uma mensagem e nela está contida a explicação do porquê da mensagem, acontece o que se classifica como Função Metalingüística.

Ex.: bula de remédio, manual do usuário, informe publicitário ¹ de propaganda e outros.



DIVERSIDADE LINGÍSTICA



A Língua Brasileira (Portuguesa do Brasil ) tem duas formas de ser usada pelos brasileiros. O que era considerado errado em se tratando de língua falada, com as reformas e mudanças acontecidas na língua foi extinto e deu-se lugar ao que se denomina hoje de “língua padrão e língua não - padrão”.
Língua Padrão - é aquela que segue as normas da gramática normativa ( que dita normas), que deve ser falada por todos os indivíduos possuidores de conhecimento acadêmico.

Língua não-padrão – é aquela usada por todos os brasileiros, independente de conhecimento acadêmico, porquê é a língua pátria. Essa é usada no dia – a – dia.


Atenção:
Língua Padrão = Língua Culta

Língua Não-Padrão = Língua Coloquial


EMPREGO DE PALAVRAS



Emprego do A/HÁ –


Emprego do A

a)Com o verbo indicando tempo futuro

Ex.: O fim das aulas será daqui a um mês

b) Indicando distância

Ex.: O Flamengo está a um passo do rebaixamento

c)Indicando gênero e número

Ex.:A última copa foi à glória para os brasileiros

d)Pronome obliquo da 3ª pessoa

Ex.: - Você tem visto Joana?

- Vejo-a sempre.

e)Quando o pronome “aquela” vier substituir a A

Ex.: - Comprei a sandália que tanto queria. A (aquela) que estava na promoção.

Usa-se o Há


a)Quando puder ser substituído por EXISTIR

Ex.:Não há (existe) data prevista para o fim das aulas

b)Quando puder ser substituído por FAZ

Ex.: As aulas terminaram há (faz) dez minutos


ATENÇÃO:


Usa-se somente o HÁ, quando a palavra indicar VERBO, fora isso, usa-se somente o A comum.




EMPREGO DO MAS/ MÁS/MAIS


Emprego do MAS


a) Usa-se o MAS quando seu significado for semelhante a “porém”, “contudo”, “no entanto” , “todavia”.

Ex.: Estudei mas não fui aprovado.

USO DO MÁS

a) Usa-se MÁS como antónimo de BOAS

Ex. : Bruxas más

Bruxas boas

Emprego do MAIS

a)Usa-se o MAIS quando indicar adição, soma, aumento etc.


Ex: O povo brasileiro quer mais empregos



EMPREGO DO MAL/MAU



Emprego do “MAL”

a)como antônimo de BEM

Ex: Estou mal de saúde

Estou bem de saúde

Emprego do “MAU”

a) Como antônimo de BOM

Ex: Lobo mau
Lobo bom

EMPREGO DOS PORQUÊS

Emprego do “PORQUE”

a)Indicando uma resposta ou explicação, podendo ser substituído pela palavra “pois”.

Ex.: Marta foi aprovada porque estudou muito

Emprego do “PORQUÊ”

a)Funciona como sinônimo de “causa”, “motivo” ou “razão”

Ex.:O professor faltou três dias e ninguém sabe o porquê desta ausência

Emprego do “POR QUE”

a)Indicando um pronome interrogativo, no sentido de “por qual motivo”

Ex.: Por que os alunos não estudam?

b)Indicando um pronome relativo, no sentido de “pela qual”, “pelo qual”, no singular ou plural

Ex.: Estas são as vitórias por que lutamos


c)Quando posposto a ele, couber a palavra “razão”

Ex.: O povo não entende, por que os políticos não cumprem suas promessas.

EMPREGO DO “POR QUÊ”


a)No final da oração, como pronome interrogativo

Ex.: Não estudaram por quê?

b)Sempre que aparecer no final da frase

Ex.: O Brasil continua cheio de esperanças e ninguém sabe o por quê.

EMPREGO DE AONDE / ONDE


Emprego do Onde


a)Quando a palavra indicar “em que lugar” e o verbo da oração não indicar movimento

Ex.: Na Bahia e onde tudo acontece

Emprego do Aonde

a) Quando a palavra indicar “para onde” e o verbo da oração indicar movimento

Ex.: Aonde iremos passar o final de semana?

ATENÇÃO


- Aonde (movimento) iremos passar o final de semana?
- Na Bahia, porquê (motivo) lá e onde (lugar) tudo acontece.

Se a oração não aceitar “para onde” = “aonde”, então será sempre “onde”

EMPREGO DE DENTRE / ENTRE


Emprego do “DENTRE”

a) A palavra “DENTRE” significa “DO MEIO DE” para ser usada é necessário que exista um verbo na oração, solicitando a preposição “de”.

Ex.: Jesus ressurgiu dentre os mortos

Quem ressurge, ressurge de algum lugar.
De onde?
De entre os mortos – do meio dos mortos

De entre = dentre

Emprego do “ENTRE”

a)O “ENTRE” é usado em todos os casos que não cabe o “DENTRE”.

Ex.: Entre os alunos desta escola, tenho mais chance de realizar meu trabalho.




ESTRUTURA DAS PALAVRAS


As palavras podem ser divididas em pequenas formas (partes) e Todas as partes de uma palavra, mesmo que mínima, são providas de significados. Estas partes são chamadas de elementos mórficos.
Os Elementos Mórficos são:

RADICAL – representado pela letra R é a parte da palavra que não muda, concentrando-se nele a significação básica da palavra.

Ex.: Samba / Sambado / Sambeiro

VOGAL TEMÁTICA – representado pelas letras VT juntas. A vogal temática tem três funçõe que são elas:

· servir de ligação entre o radical e suas desinências.
· Indicar a conjugação do verbo - 1 ª conjugação A
- 2ª conjugação E
_ 3ª conjugação I
· Indicar o tema junto com o radical


TEMA - conjunto radical e vogal temática

Ex.: Amar - r = ama
Vender – r = vende
Partir - r = parti


DESINÊNCIAS – os morfemas indicam as flexões das palavras e só existem em palavras variáveis. Dividem-se em :

DESINÊNCIAS NOMINAIS – indicam o gênero e o número dos nomes (palavras que não são verbos)

Ex.: menin a s a = desinência de gênero feminino
s = desinência de número plural


DESINÊNCIAS VERBAIS - indicam tudo do verbo, o tempo, o modo, o número, e a pessoa do verbo.

Ex.: Am a va mos

Am = Radical
a = Vogal Temática VT
va = Desinência Modo-Temporal DMT
mos = Desinência Número – Pessoal DNP

AFIXOS – São elementos mórficos que unido ao radical , modifica sua significação. Recebem dois sobrenomes, variando de acordo com sua união.

PREFIXOS – recebem este nome quando anteposto ao radical

Ex.: infeliz in + feliz = infeliz

SUFIXOS - recebem este nome quando posposto ao radical


Ex.: felizmente feliz + mente = felizmente


Língua Brasileira

Dúvidas de A a Z:


CONDORDÂNCIA VERBAL

A concordância verbal deixa muita gente confusa. Por exemplo: Qual a forma correta?“Vai fazer 3 meses que ele se foi.”“Vão fazer 3 meses que ele se foi.”
O certo é “Vai fazer 3 meses que ele se foi”. O verbo “fazer” é muito específico na Língua Portuguesa. Ele não deve ser flexionado quando usado para indicar tempo decorrido. Por exemplo:
“Já fazia dez anos...”“Faz cinco horas...”“Faz sete anos...”“Faz trinta dias...”
O verbo também fica no singular quando associado a outro verbo. Exemplos:
“Vai fazer dez anos...”“Deve fazer trinta anos...”
Agora você já sabe:
"Faz dois anos que estive aqui” e não “fazem dois anos que eu estive aqui."

Como o verbo fazer indicando tempo não tem sujeito, podemos e devemos dizer: "passaram dois anos".De fato, os anos passam. Mas nunca se deve dizer "fazem dois anos ".
Outra questão: Qual o correto: "Quando visitei sua mãe, eu morava lá há dois anos" ou "... morava lá havia dois anos”?
Se substituirmos o verbo “haver” por “fazer”, a forma correta é ".... eu morava lá fazia dois anos". Logo, "... eu morava lá havia dois anos".

HÁ / ATRÁS
Não é “Há décadas atrás”porque Há e atrás já indicam que a frase está no passado. Use apenas “Há décadas” ou “Décadas atrás”.
RUIM
Esta palavra tem duas sílabas: ru-im, formando um hiato.
Se você disser que a situação está rúim, com certeza ela ficará ainda pior!A pronúncia correta é ruím.
CIDADÃO / CARÁTER
Errado - cidadões. Correto - cidadãos. Singular - caráter. Plural - caracteres.
A GENTE E AGENTE
a) A gente = nós; o povo, as pessoas.
Exemplos: Nós vamos à praia este fim de semana. (Forma mais culta.) A gente vai à praia este fim de semana. (Forma mais popular.)
b) Agente = indivíduo encarregado, responsável por determinada ação: aquele que age. Agente possui também outros significados.
Exemplo: Meu pai é agente de viagens da Varig.
A GENTE OU NÓS?
Se você estiver num contexto formal, que exige a gramática tradicional, não há dúvida de que nós é palavra mais adequada; no entanto, nada impedirá a utilização de a gente num ambiente descontraído e informal. Cabe lembrar-se, apenas, de que a concordância verbal deve prevalecer sempre: use nós com o verbo na 1ª pessoa do plural; use a gente com o verbo na 3ª pessoa do singular. Nunca use: a gente fomos.
AIDS OU Aids?
Como Aids é uma sigla, a inicial deve ser maiúscula. O Brasil adotou a sigla inglesa, em português ou espanhol seria Sida (adotada pela Argentina). Acho que foi interferência de Nossa Senhora Aparecida... a nossa Cida querida. Não ia ficar bem dizer que o fulano morreu de Sida.
AMBOS –
O numeral "ambos", que é o único "dual" em português, pode ser reforçado em "ambos os dois", "ambos de dois", "ambos e dois", "ambos a dois", "a dois ambos".
ANEXO
Em anexo (locução adverbial) - invariável. Exemplos: Os arquivos seguem em anexo. As pastas seguem em anexo.
Anexo (adjetivo) - variável (gênero e número). Exemplos: Os arquivos seguem anexos. As pastas seguem anexas.
A NÍVEL DE?
Jô Soares condena o uso da expressão "a nível de", mas nunca explicou o motivo da condenação. Não que eu tenha o hábito de utilizá-la, mas é realmente incorreto o seu emprego? (Leitor desta coluna). Transformei a dúvida dele em teste da semana. Resposta: A nível de tornou-se uma muleta, ou seja, expressão dispensável, desnecessária.
Ano novo/ ano-novo
“Feliz ano novo!” – sem hífen, pois a pessoa está desejando-lhe todas as felicidades do mundo no ano que se inicia.
“Para o Natal e para o ano-novo, o supermercado Y tem as melhores ofertas.” – com hífen, pois REFERE-SE a FESTA.
Em ambos os casos, letra minúscula.
Anos sessentas
Qual é o erro desta frase?
“Durante uma hora ele falou, emocionado, sobre sua juventude nos anos sessenta.”
A resposta certa: Durante uma hora ele falou, emocionado, sobre sua juventude nos anos sessentas. Diz-se duas canetas ou duas caneta? A primeira, claro!
Cuidado para não confundir “numeral” com “substantivo”.
Numerais : quarenta anos, setenta anos, noventa anos. Substantivos : anos quarentas, anos noventas, anos noventas.
Os anos setentas são: 70, 71, 72, 73, 74, 75, 76, 77, 78 e 79. Vários setentas!
Há quem defenda o singular, pois alega que sessenta é um substantivo com função de adjetivo, que estabelece o tipo ou categoria, como em banana-maçã, bananas-maçã. A tendência atual é pluralizar: anos sessentas. Os estudantes antigamente faziam a prova dos noves na escola? O número 5555 é formado por quatro cincos; o número 777, por três setes. E o número 111? Mesmo raciocínio: formado por três uns.
verbos terminados em -iar)
MEDIAR, ANSIAR, REMEDIAR, INCENDIAR e ODIAR, cujas letras iniciais foram o nome MÁRIO, são irregulares na conjungação porque ganham o I transformado em EI nas formas rizotônicas (acento tônico recai no radical) nas três primeiras pessoas do singular e na terceira pessoa do plural do presente do indicativo e do presente subjuntivo. Exemplo: odeia, odeias, odeia, odiamos, odiais, odeiam/ odeie, odeies, odeie, odiemos, odieis, odeiem. Os outros verbos terminados em -iar são regulares. Exemplos: afio, aprecio, chio, crio, esquio, guio, mio, premio, principio e outros. A exceção é MOBILIAR, nele as formas rizotônicas (sílaba tônica no radical) têm acento tônico na sílaba BI (conseqüente acento gráfico) e não na LI: mobílio, mobílias, mobília, mobiliamos, mobiliais, mobíliam/ mobílie, mobílies, mobílie, mobiliemos, mobilieis, mobíliem.
Antártica ou Antártida Esse assunto é polêmico. Luiz Antonio Sacconi afirma que a região gelada chama-se Antártica, que é oposta ao Ártico. Eduardo Martins no Manual de Redação do Estadão; Domingos Paschoal Cegalla em seu Dicionário de Dificuldades da Língua Portuguesa possuem outra posição: Antártida - nome da região Antártico, antártica: adjetivo. Exemplo: continente antártico, aves antárticas. Os dois últimos são mais lógicos.
A persistirem/ ao persistirem
"A persistirem os sintomas, procure orientação médica."
"Ao persistirem os sintomas, procure orientação médica."
As duas formas aparecem em propagandas de medicamentos na tevê. Qual é a correta? Quem fez a pergunta foi João Batagelo, radialista (Rádio Tietê, Araçatuba).
Há duas estruturas diferentes, e deve-se optar entre elas com base no que pretende dizer. "A persistirem os sintomas..." é uma estrutura condicional; equivale a "se persistirem os sintomas...".
"Ao persistirem os sintomas" é temporal; equivale a "quando persistirem os sintomas".
Nessa frase do Ministério da Saúde, o significado implícito é "se os sintomas persistirem", embora o nexo temporal também seja possível.
Conclusão: as duas formas estão corretas, mas muitos gramáticos só admitem a frase na condicional: "A persistirem os sintomas...".

Apagão ou blecaute?
A duas palavras são de origem estrangeira e têm como definição a falta total de energia elétrica numa cidade ou região. Apagão não é encontrada nos dicionários, já blecaute é registrada por Aurélio e Michaelis. Isso não quer dizer que esteja errado empregá-la, é um neologismo legítimo, que foi adaptado ao nosso sistema ortográfico. A princípio / em princípio
Segundo Domingos Paschoal Cegalla em seu "Dicionário de Dificuldades da Língua Portuguesa", as duas locuções são empregadas, mas cada uma tem seu significado.
Em princípio: significa em tese, teoricamente, antes de qualquer consideração. Exemplo: "Em princípio, sua proposta nos interessa, mas só a direção da empresa é que pode aceitá-la".
A princípio: significa no começo, inicialmente. Exemplo: "A princípio, tudo parecia um mar de rosas, mas não tardaram a surgir dificuldades".
A priori / a posteriori
"A priori", expressão latina, significa anterior à experiência, anterior à verificação experimental. E tem como antônima outra expressão latina: "a posteriori" que significa conhecimento, afirmação, verdade provenientes da experiência, ou que dela dependem. Na verdade, há uma banalização das duas expressões como se fossem sinônimas de "antes" e "depois". Tomar cuidado.
Ar condicionado/ ar-condicionado Sem hífen é o próprio ar, cuja temperatura foi alterada para quente ou fria. Exemplo: O ar condicionado lhe fez mal. Com hífen, designa o aparelho: Vende-se um ar-condicionado. Ou seja, um condicionador de ar.
Arroba Qual é o sentido do símbolo @, usado nos endereços eletrônicos? Resposta: A palavra arroba vem do árabe «ar-ruba» e quer dizer 15 kg, tem como antiga abreviatura@, portanto o símbolo existe antes do computador
A ver/ haver
Essa roupa não tem nada a ver com você. Nada a haver tem sentido completamente diferente: que não tem nada a receber.
Bebedouro ou bebedor d’água Internauta me passou e-mail, inconformado com a inscrição que há na estação rodoviária de Araçatuba: “bebedor d’água”. Bebedor é aquele que bebe muito. Exemplo: Joaquim é um bom bebedor de cerveja. “Bebedouro”, segundo o Aurélio, é designação genérica de diferentes tipos de aparelhos ligados à rede hidráulica de edifícios, que fornecem água a temperatura normal ou gelada, e que permitem beber sem necessidade de copo, muito utilizados em escolas, fábricas, escritórios, lojas, etc. Que tal o administrador fazer a correção: bebedouro d’água? Araçatuba gosta de dar demonstração aos visitantes de que cuida mal do português. As placas colocadas nos canteiros centrais da av. Brasília é um exemplo evidente disso
Biquíni Palavra paroxítona terminada em "i", por isso é acentuada. Vejamos a origem da palavra:Antes da bomba nuclear, as mulheres só usavam maiôs. Dizem que as mulheres da antiga Roma, nas orgias imperiais, já usavam o biquíni. Mas a peça, na modernidade, foi criada em 1946 pelos estilistas Louis Réard e Jacques Heim. O último queria dar o nome de "átomo" ao novo vestuário de banho, já que era a menor partícula. Porém, como os Estados Unidos fez sua primeira experiência de bomba nuclear naquele ano pós-guerra, no Atol de Bikini das Ilhas Marshall, no Oceano Pacífico, a minúscula roupa feminina foi batizada de biquíni. As palavras surgem de formas variadas.
Bufê ou bifê?
A língua francesa nos forneceu um grande conjunto de palavras, muitas já devidamente aportuguesadas: ateliê, abajur, boate, batom, chofer, detalhe, garçom, marrom, vermute... No caso de buffet, a forma aportuguesada é bufê. Garage, por exemplo, é palavra francesa. É melhor usar a forma aportuguesada garagem, com a terminação agem, como tantas outras palavras da língua portuguesa: viagem, paisagem, plumagem, contagem...
Cãibra ou câimbra As duas formas são registradas pelo dicionário Aurélio. “Cãibra” paroxíto-na, mas o dicionário Michaellis separa suas sílabas assim: cã-i-bra. Enquanto “câimbra” é proparoxítona, por isso o acento circunflexo, porém há quem discorde, dizendo que ela continua sendo uma paroxítona pois o encontro vocálico, na verdade, é um ditongo decrescente nasal. Em Portugal só há cãibra.
Calçar as luvas?
"No inverno, as pessoas friorentas calçam luvas."
Não há erro. Também se calçam as luvas, pois "calçar" significa vestir os pés ou as mãos, como pôr as calças. Já houve muita polêmica sobre assunto, dizia-se que não se vestem as luvas. Não é verdade. Posso usar "calçar as luvas", que é mais clássico; como "vestir as luvas".
Clipe ou clips Que nome se dá em português às peças de metal que servem para prender folhas: clips ou clipes? O aportuguesamento do inglês “clip” é clipe. O plural é clipes.
Coco/ cocô 1) Que palavra tem acento: coco (fruto do coqueiro) ou coco (excremento)? Resposta: cocô (excremento) é acentuada, porque é uma palavra oxítona terminada em “o”. Já coco (fruto do coqueiro) não tem acento, pois não se acentuam as palavras paroxítonas terminadas em “o”.
Coalizão e colisão “Uma coalizão de centro-esquerda reelegeu Mário Covas.” Coalizão signi-fica união, acordo, aliança. “Já Maluf está em colisão com os marqueteiros.” Colisão significa choque, conflito, luta.
Consigo “Consigo” só pode ser usado com o sentido reflexivo, ou seja, a ação recai sobre a mesma pessoa que a pratica. Exemplos: A mãe trouxe consigo as receitas./ João disse consigo mesmo./ Guarda a carta consigo. No Brasil, é inadmissível usar “consigo” para substituir “com você”, “com o senhor”. Veja alguns exemplos corretos: Quero falar com o senhor (e não “quero falar consigo”). Concordo com você (e não “concordo consigo”).
Convalescença ou convalescência O doente que se recupera está em convalescença. É ença o final correspondente aos verbos finalizados em scer, ecer e erer. Assim, renascer: renascença, parecer: parecença, malquerer: malquerença. A terminação ência derivada dos adjetivos terminados em ente. Exemplo: beneficente: beneficência. O certo é convalescença.
“Curriculum vitae” - plural
A expressão latina significa o conjunto de dados concernentes ao estado civil, ao preparo profissional e às atividades anteriores de quem se candidata a um emprego, a um concurso. Seu plural segue a gramática latina, portanto é “curricula vitae”. Existe a forma aportuguesada correspondente: currículo/ currículos. Bem menos complicada
Despercebido/ desapercebido Elas são palavras parônimas, parecidas. Despercebido significa, segundo o Aurélio, que não se viu ou não se ouviu; em que não se atentou; impercebido, desatento, distraído, desacautelado. Já desapercebido tem o sentido de desprevenido, desacautelado, desprovido, desguarnecido. O Aurélio aceita as duas formas: despercebido/desapercebido para o senti-do de distraído, mas ele é um dicionário que registra todos os usos, não tem compromisso com a gramática normativa.
Dias da semana (plural) Qual forma está correta: "quarta e quinta-feira" ou "quarta e quinta-feiras"? É preferível “quarta e quinta-feira” por dois motivos: a) Quarta e quinta-feira = “quarta-feira e quinta-feira”. Em “quarta e quinta-feira”, subentende-se o elemento “feira” depois de “quarta”. Por isso, não há razão para se pluralizar o elemento “feira” de “quinta-feira”. b) Se antepusermos o artigo, definido ou indefinido, diremos: “a quarta e a quinta-feira”, uma “quarta” e uma “quinta-feira” – sem pluralização. Em mão/ em mãos Uma internauta quer saber se estava certo escrever “em mãos”. Apenas o “Dicionário de Dificuldades da Língua Portuguesa”, Editora Nova Fronteira, de Domingos Paschoal Cegalla, se manifesta a respeito. Ele considera as duas formas corretas, mas acrescenta que “em mãos” é mais usual no Brasil

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1 comentários:

Anônimo disse...

muito bom.

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